Sexta-Feira, 11 de setembro de 2015
Hoje iremos apresentar á vocês um dos temas que agradam á todos: estilos musicais! Para iniciar o tema que todos gostam, um estilo que está fazendo muito sucesso, inclusive na própria escola! Apresentamos á vocês, o estilo musical e sua história: HIP HOP!
"O hip hop, rap, rima, grafite, break, free
style e o Dj: a cultura juvenil traduzida em diferentes estilos musicais."
O Hip hop é um gênero musical iniciado durante a década de 1970, nas áreas centrais de comunidades jamaicanas, latinas e afro-americanas da cidade de Nova Iorque, cujo termo significa mexer os quadris. Afrika Bambaataa, reconhecido como o criador oficial do movimento, estabeleceu cinco elementos essenciais na cultura hip hop: o rap, o DJ, a breakdance, grafite e a consciência. Outros elementos incluem a moda Hip Hop são as gírias.
Desde quando surgiu primeiramente no South Bronx, a cultura hip hop se espalhou por todo o mundo. No momento em que o hip hop surgiu, a base concentrava-se nos disc jockeys que criavam batidas rítmicas chamadas "loop" (pequenos trechos de música em repetições contínuas) em dois turntables, que atualmente é referido como sampling. Após isso, foi acompanhada pelo rap (abreviatura de rhythm and poetry ou ritmo e poesia em inglês) com uma técnica vocal diferente para acompanhar os loops dos DJs. Junto com isto, surgiram formas diferentes de danças improvisadas, como a breakdance, o popping e o locking.
O movimento é da rua. A idéia é protestar e se divertir. Onde estiver, questionamento, sofrimento, violência, alegria e verdade haverá o rap, o break e o grafite. Haverá o movimento negro. O movimento é resultado de uma história musical negra que inicia-se no norte da América e se espalha para vários outros países . O hip hop é um filho de vários pais. Vem do soul, do jazz, do blues. Cada lugar do seu jeito, na sua realidade, dentro do seu contexto, seja onde for. Atualmente mistura-se com outras vertentes, outros sotaques e toma proporções à sua qualidade sonora. É som de periferia e ponto.
O Hip Hop na música é o Rap. O RAP, Rhithm And Poesy, no português Ritmo e Poesia é a trilha sonora do movimento interpretado pelo MC. O MC (mestre de cerimônia) também é o cara que alegra o público nas festas, apresenta duelos de rimas e os convidados. O rap tem diferentes vertentes e suas letras variam de protesto contra política, repressão baseada em preconceitos por parte da sociedade, polícia e Estado, fala de amor, fatos que pessoas vivenciam em bairros pobres, crimes ou drogas.
Free Stille - O Free Stille é uma batalha de rimas improvisadas por MC’s. Dois rivais, um microfone, e uma batida pesada. O poeta sonoro pode falar do que quiser, dos defeitos do oponente, do tempo, de si próprio, mas é importante que haja a rima nas palavras para um bom enfeite sobre a rima de seu opositor. Um contra o outro. Num espaço de tempo com direito a empate e prorrogação. O melhor nos versos ganha.
Beat Box - É o som das batidas feitas com a boca, Existem também duelos desse elemento.
O Grafite é uma mensagens através da arte-visual aproveitando geralmente paredes urbanas. Muito se discutiu sobre a procedência do grafite com o vandalismo e a pichação, hoje é considerado uma das grandes artes contemporâneas. A relação entre o grafite e a cultura hip hop surgiu quando novas formas de pintura foram sendo realizadas em áreas onde a prática dos outros três pilares do hip hop eram frequentes, com uma forte sobreposição entre escritores de grafite e de quem praticava os outros elementos.
O DJ (Disc Jockey),é o responsável pela música nos bailes, festas, rádios e também nos grupos de rap. Com manobras com os discos de vinil como back-to-Back, hoje conta com profissionais em todo o mundo. O cantor de rap precisa de uma base para suas músicas então utiliza uma batida específica para servir de melodia para suas letras. Essas são produzidas em um laboratório musical por um DJ ou músico. Tem-se o costume de adquiri-las prontas em vinil em lojas especializadas.
O Break nasce como forma de protesto contra a guerra no Vietnã e defendendo jovens, mortos ou debilitados por ela. Os primeiros B-Boys dançavam simbolizando soldados norte-americanos que voltavam deficientes das batalhas ou representavam algum objeto de destruição, como por exemplo, o giro de cabeça simboliza um helicóptero.
O Hip Hip no Brasil O berço do hip hop brasileiro é São Paulo, onde surgiu com força nos anos 1980, dos tradicionais encontros na rua 24 de Maio e no Metrô São Bento, de onde saíram muitos artistas reconhecidos como Thaíde, DJ Hum, Styllo Selvagem, Região Abissal, Nill (Verbo Pesado), Sérgio Riky, Defh Paul, Mc Jack, Racionais MC's, Doctor MC's, Shary Laine,M.T. Bronks, Rappin Hood, entre outros.
Atualmente, existem diversos grupos que representam a cultura hip hop no país, como Movimento Enraizados, MHHOB, Zulu Nation Brasil, Casa do Hip Hop, Posse Hausa (São Bernardo do Campo), Hip Hop Mulher, FNMH2, Nação Hip Hop Brasil, Associação de Hip Hop de Bauru, Cedeca, Cufa (Central Única das Favelas).
Alguns cantores de Rap/ Hip Hop:
- 003 - 0131 -12 Gauge
-12
Manos - 1TYM - 2 Live Crew
-2
Pac -2 Skinnee J's -213
-Ndee Naldinho -Nega Gizza -Negra Li
-Notorious B.I.G. -Nx Zero e Fresno -O Rappa
-Pato Pooh -Paul Wall -Pavilhão 9
-Pitbull -Planet Hemp -Portishead
-Projota -Public Enemy -Puff Daddy
-Racionais Mc's -Rama Duke -Rap Brasil
-Rappin
Hood -Real Street Project -Realidade Crue
-Visão de Rua -Voz Sem
Medo -Will Smith
-Willow
Smith -Willy Trip -Xis
-Yo Gotti - Z-Ro -Zaho
-Zion I - Eminem -Emicida
Fontes utilizadas no texto:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Hip_hop
http://www.diversidadeculturalhiphop.blogspot.com.br/2008/09/hip-hop-no-brasil.html
Esse foi mais um texto produzido pelos alunos e fiquem atentos á mais informações sobre os diversos estilos musicais na atualidade!!! Tudo isso no B.B.!!!!
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-12
Manos - 1TYM - 2 Live Crew
-2
Pac -2 Skinnee J's -213
-Ndee Naldinho -Nega Gizza -Negra Li
-Notorious B.I.G. -Nx Zero e Fresno -O Rappa
-Pato Pooh -Paul Wall -Pavilhão 9
-Pitbull -Planet Hemp -Portishead
-Projota -Public Enemy -Puff Daddy
-Racionais Mc's -Rama Duke -Rap Brasil
-Rappin
Hood -Real Street Project -Realidade Crue
-Visão de Rua -Voz Sem
Medo -Will Smith
-Willow
Smith -Willy Trip -Xis
-Yo Gotti - Z-Ro -Zaho
-Zion I - Eminem -Emicida
Fontes utilizadas no texto:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Hip_hop
http://www.diversidadeculturalhiphop.blogspot.com.br/2008/09/hip-hop-no-brasil.html
Esse foi mais um texto produzido pelos alunos e fiquem atentos á mais informações sobre os diversos estilos musicais na atualidade!!! Tudo isso no B.B.!!!!
Quarta feira, 02 de Setembro de 2015
O texto a ser apresentado foi construído por uma aluna da Escola Baltazar. Seu intuito é refletir sobre relatos de vida e o que acontece ao seu redor na escola, sendo assim, o que o chamou atenção, foi a questão do uso do tempo e de instrumentos da modernidade pelos jovens.
“A vida passa e nós de olho na tela toutchsreen”
Tenho
observado mais atentamente o mundo, e ao invés de falar ou questionar, preferi
permanecer calada. Tanto que, há coisas que por acontecerem diversas vezes, passaram
a não me surpreender mais, e uma delas, é o fato de os jovens estarem se
desligando do mundo exterior para viver do mundo digital. Quando nós jovens
fazemos isso, acabamos por deixar de lado os compromissos, tarefas do dia-a-dia
e até pessoas que nos amam para viver algo que, muitas vezes, não é real. Certa
vez nos foi apresentado um relato de uma colega de sala, na qual estava
arrependia por não ter passado mais tempo com sua avó, que mesmo tendo suas
casas uma ao lado da outra, dificilmente ela reservava um tempo para vê-la. Quando
a avó ficou doente, esta aluna deparou-se com uma situação de arrependimento e
medo que a avó partisse sem antes oferecer a atenção, o tempo e o valor que ela
merecia. O que se percebe é que estamos cheios de afazeres vazios, ligados às
redes sociais mesmo quando conversando com alguém, neste caso, são os
familiares os sujeitos que mais dividem a atenção com o celular e nossos inúmeros
contatos. Pensando nisso podemos nos fazer a seguinte pergunta: quanto tempo o
jovem gasta com este universo digital e nem nota o que está acontecendo ao seu
redor?
A
escola é o local que mais se pode observar jovens uns ao lado dos outros, que calados, conversam com outras pessoas através do celular. Durante a aula também, eles vivem checando suas
notificações e inúmeras fotos da timeline, sendo que a vítima, neste caso, é o professor, que usa de toda a sua paciência para chamar nossa atenção. Notamos que este uso excessivo dos
meios digitais trouxeram o fenômeno da individualidade, e hoje em dia, com o
acesso aos tablets e smartphones por crianças, percebemos que
isto está se estendendo pelas gerações mais novas. Este individualismo leva com
que os sujeitos não percebam o outro, alienando sua visão, tornando-o frágil
acerca das percepções. Estamos lidando com uma formação de indivíduo baseada em
relações e sentimentos fragilizados, com dificuldade na concretização de
sentimentos já que tudo torna-se tão frio via contato virtual. Até que ponto as
relações são verdadeiras? Figuras como os chamados emotions (emoções) traduzem
os sentimentos e criam sentido aos significados, e por isso, são tão fáceis de
ser aceitos pelos jovens. Quer dizer, não é mais fácil mandar um <3. =D, =),
mesmo sem estar sentido ou expressando aquilo na realidade?
É, aí está a tecnologia para criar
necessidades de uso por certos produtos recém lançados, que dizem facilitar a
vida e, junto a isso, acabam simplificando e reduzindo até as relações
pessoais.
É, aí está a tecnologia para criar necessidades de uso por certos produtos recém lançados, que dizem facilitar a vida e, junto a isso, acabam simplificando e reduzindo até as relações pessoais.
Este foi o texto da semana no B.B!
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NARRATIVA DE VIDA.
Olá pessoal, hoje é dia de postar aqui no "Blogando no Balta"!
O tema escolhido para tratar a juventude nesta postagem é o racismo e os conceitos, ideias e pensamentos que dele podem se desdobrar na relação com o outro. O gênero textual escolhido foi a narrativa de vida, na qual, a autora decidiu compartilhar seus sentimentos em primeira pessoa para os leitores deste blog.
O intuito é que possamos refletir sobre os sentimentos de quem está ao nosso redor, de pessoas que conosco compartilham os mesmos espaços, para que assim, possamos pensar sobre certas ações: seja um olhar. brincadeira ou hábito e os reflexos disto no interior do outro.
Acompanhe a leitura desta história que terá sua continuação em capítulos postados toda semana e colocados nesta publicação sequencialmente.
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16 de junho de 2015.
Sentindo na pele.
Parte 1.
Cresci em um bairro pobre da minha cidade, meus pais vieram juntos com meus avós pra esta cidade no tempo em que o comércio do café era muito forte. Desde que aprendi a identificar as coisas ao meu redor com mais clareza, momento este que perdi aquela inocência de criança, passei a ver que nem tudo o que eu tive contato era como eu imaginava. Sim, cresci em meio á uma família humilde e, com o amadurecimento, passei a perceber que nem tudo era fácil como na televisão. Digo isso porque amava assistir a desenhos, filmes, novelas diariamente, e com isso, me acostumei com aquele universo de coisas fáceis, rápidas e de finais felizes. No dia-a-dia, frequentava uma escola pública próxima de minha casa, local que convivi com muitos colegas, estes que faziam muitas piadinhas e brincadeiras o tempo todo e eu encarava como um modo de socialização. Quando entrei na adolescência, mudei para outra escola, e para chegar até lá era necessário pegar dois ônibus, ou seja, tinha que acordar mais cedo. Meus pais diziam que o esforço valeria a pena porque era uma escola melhor e isso poderia ser bom para o meu futuro.
Nesta época, passei a me interessar por revistas do público jovem que minha mãe trazia da casa da patroa dela, minha mãe era empregada lá há anos. Naquela casa vivia uma menina da minha idade, Lívia, sua vida era outra, tinha tudo o que queria e, ás vezes, até se livrava de coisas que ela poderia reutilizar, tanto que, as revistas que ela jogava fora minha mãe trazia pra mim e eu não me importava por ser descarte de outra pessoa. Quando criança até tive uma aproximação com Lívia, brinquei um tempo em sua casa, fui em alguns aniversários (que eu ficava boba de ver o tanto de brinquedos para brincar, presentes que ela ganhava, amigos convidados, e tantas outras coisas que eu nem imaginava ter para mim). É claro que eu gostaria de ter uma festa daquela, mas é que é muita grana para torrar tudo em um dia de festa, como eu mesma já ouvi meus pais falarem “Faz um festão, o povo enche a barriga e ainda acabam falando mal pelas costas”. Eu caía na risada, é claro, mas confesso que mesmo achando um desperdício eu me divertia bastante com aquele monte de criança diferente. Eu digo diferente porque dificilmente eu via alguém parecido comigo, só depois eu fui entender que esta diferença estava na cor da pele, no cabelo, na escola que eles estudavam, nas roupas que eles usavam e até o jeito de lidar com os pais e com os acontecimentos.
Bom, sobre aquelas revistas, elas possuíam, além de tudo, muitas coisas sobre relacionamento, entrevistas com os ídolos do momento, novas tendências de roupas...Etc. E estas eram minhas companheiras nas tardes após almoçar e limpar a cozinha pra minha mãe (essa era a tarefa, pois ela queria chegar do trabalho e ver tudo limpo). Ver revistas, clips de música na televisão, desenhar, e é claro que depois eu tinha que fazer a tarefa da escola, porque minha mãe iria me cobrar a noite. E esta era minha vida, até os 12, 13 anos, e tudo caminhava bem até eu começar a perceber as coisas com mais atenção, é que eu acho que com certa maturidade nós começamos a nos interessar por outras coisas, se apaixonar, e foi aí que comecei a perceber que, nem toda aparência agrada, e o porquê disso, só fui entender tempos depois.
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25 de junho de 2014.
Sentindo na pele.
Parte 2.
Sentindo na pele.
Cresci vendo em todos os lugares que as mais admiradas eram as atrizes de cabelo liso, com cachos na ponta, que tinham balanço, brilho e conseguiam fazer vários penteados e tudo ficava bom! As Barbies, bonecas Poly, Susi etc, que minha mãe as trazia da casa onde trabalhava (sim, até isso a menina descartava) tinham estas mesmas características, tanto no tom da pele, formato de corpo, cabelo e roupa. Eu, com meu cabelo difícil de lidar, bom pelo menos era assim que eu pensava porque eu queria que eles fossem como os que eu via por ai, tinha que lidar com a dificuldade em querer fazer algo diferente, e como dava trabalho, na maioria das vezes o deixava preso. Lembro que me marcou muito uma piada em sala de aula: Qual a semelhança entre o bandido e o cabelo de "preto"? Se não está preso, está armado!. Nossa, quanta gente deu risada, principalmente quem não tinha um cabelo com estas características, ninguém imaginava o quanto é difícil desembaraçar, passar muito creme durante o banho para facilitar, comprar produtos que definissem o cacho, enfim, a piada poderia ter graça pelo jogo de palavras, mas no fundo, pelo menos em mim, senti um grande incômodo. Este tipo de situação me levava a querer ainda mais alguma mudança! Quantas vezes fui até a Sumirê escondido de minha mãe para comprar produto para relaxamento dos fios ou alisante, chegava em casa, tentava fazer eu mesma, e não é que uma vez caiu tanto cabelo que eu decidi não fazer nunca mais? Eu vivia pensando: será que custa muito caro a nova escova japonesa? A progressiva? Bom, pra eu fazer algo assim, vou ter que começar a trabalhar, juntar um dinheiro, mas, e se cair aquele monte de cabelo de novo? Ah, melhor deixar pra lá. E assim foram os meus 14 anos, uma briga com a aparência, procurando meios de ser notada como aquelas que todos almejavam na escola e convivendo com as brincadeiras direcionadas para alunos com as mesmas características que as minhas.
Não sei o que aconteceu, sabe? Começou um tal de funk ostentação, as brincadeiras aumentaram, o apelo pela beleza das “novinhas”, uma tal página do facebook das mais gatas de Marília, fotos que rodavam os grupos de “whatsapp”, e de repente me vi em meio a uma guerra pela atenção, pela exclusividade, por ser melhor, popular e descolado. Não tinha um dia na escola que não rolava uma brincadeira bem estranha, e quem achava estranho era eu e mais algumas meninas negras, é claro, porque, quem era o mais “zuado” na sala? Sempre o negro, com palavras que soavam em tom de brincadeira, o riso da sala toda, ou na melhor das hipóteses, só parte dela, porque isto seria sinal de que não só eu estaria me incomodando.
Passaram os meses, os anos, quando me vi estava quase indo para o final do meu ensino médio e percebi que as coisas estavam ficando insuportáveis, e eu agradecia sempre por minha mãe chegar ás 15h30min – 16 horas, porque dava tempo de eu chorar, almoçar, chorar mais um pouco e me recuperar para ela não perceber. Teve um dia que ela percebeu, mas preferi não contar, acho que isso iria magoá-la ao saber que uma filha está sofrendo com o chamado “Bullying” na escola, uma coisa de nome esquisito que ela só ouvia na televisão.
E aqui estava eu, em meio á um mar de pessoas na escola que tinham o prazer de julgar o outro, numa tentativa de se sentir superior, já que lá fora, no grupo de amigos de outras escolas particulares, ele sofre o mesmo preconceito, só que por ser pobre, por não ter condições de frequentar os mesmos lugares, de comprar certas coisas. Porque é possível perceber só de observar estas pessoas, principalmente nos intervalos da escola, onde os garotos estão a todo tempo querendo copiar um estilo que possa te melhor promover, as meninas também é claro, toda hora com aquele celular na mão, querendo disputar as curtidas na rede social. Isso, de uns tempos pra cá, ficou ainda pior porque o celular está proibido em sala de aula, ou seja, no corredor, no intervalo, e até nas trocas de aula, o que mais se tem é o pessoal promovendo a imagem em busca de alguma coisa que não parece real.
E assim, eu percebo, em meio á todos aqueles garotas e garotos, que há pessoas negras, assim como eu, tentando ao máximo esconder suas dificuldades em se manter naquela pose. Não consigo nem imaginar como deve ser difícil para alguns pais de origem humilde, ter que conviver com as vontades dos filhos, que só estão tentando conseguir destaque comprando coisas e frequentando certos lugares. Isso tudo por conviver com grupos de pessoas que valorizam as pessoas pelo que elas têm e não o que elas são, valorizam apenas o belo, o bonito, e em cima de quem não possui ou não é o que eles julgam como bom, se pratica o bullying. Sobre o negro, percebo que mesmo conseguindo algum status, o olhar sobre ele não muda, o preconceito muito menos, e o pior, eles permitem que isto aconteça. Quantos destes negros eu vejo nestes grupos, sofrendo preconceito que é encarado como brincadeira, porque, vai você negro querer defender a importância e os desafios de sua raça: vai perder os amigos, vai discutir, e pelo contrário do que eu vejo, o que eles querem é estar por dentro, mesmo que isso reforce ainda mais a sua tristeza interna. É por isso que vemos tanto preconceito levado na brincadeira, porque ninguém se incomoda, deixa passar, e isso acaba se reproduzindo por todos, e quem se atreve a reclamar é ainda mais caçoado, porque é tratado como se estivesse errado. E assim seguimos, sem voz e convivendo com as feridas que nunca cicatrizam por serem abertas nas situações do dia-a-dia.
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Dia 02 de julho de 2015.
Sentindo na Pele.
Parte 3.
Cheguei
à escola, como de costume, dei “Bom dia” à professora e sentei na minha mesa.
Eu me isolava um tanto dos colegas de sala, sentia que ali não era meu lugar
por achar os alunos muito preconceituosos em suas brincadeiras. Eu não era a
única negra da sala, tinha mais três meninos, e diferente de mim, eles aceitavam
as brincadeiras, mesmo sendo eles mesmos o alvo das situações. Os amigos deles os
chamavam de “pretos”, “carvão” e faziam piadas racistas, mas eles riam e
entravam na brincadeira, não havia contestação, chateação e tudo passava
“batido”. Vivo me perguntando se eles
gostavam das brincadeiras ou se, no fundo, sofriam pela discriminação. A
discussão proposta para a aula era sobre o índice de analfabetismo no brasil,
fazia parte de uma das situações de aprendizagem presentes no material: análise
de gráficos, explicação sobre os locais que eram mais evidentes o analfabetismo
e quais regiões possuíam população de melhor índice de escolaridade. Até que o
assunto sobre o acesso à escola surgiu, depois sobre o acesso à universidade,
chegando ao ponto que, eu nem imaginaria que poderia gerar tanta discussão:
cotas! Sim, quando a professora citou a questão das cotas, tanto de estudantes
de escolas públicas como negros e índios para a entrada na universidade, tive
que ouvir as piores coisas sobre a condição de ser negro e conseguir ingressar na
universidade, sobretudo, a pública. Frases como “cota pra negro é preconceito”,
“quer uma vaga então estude”, “tem que merecer ”. Como é difícil ouvir isso de
pessoas que não refletem sobre o processo da história do nosso país, toda exploração
pelos colonizadores europeus que fizeram tudo o que queriam em nosso território.
O negro sofreu anos na escravidão, servindo aos brancos, aos ricos, e quando houve
a abolição da escravatura, os negros formaram as periferias porque não tinham
onde morar, pois antes viviam nas senzalas e nos porões das casas de senhores. Sei
disso porque sentei para conversar, muitas vezes, com meu professor de história
e de sociologia, e eles me abriram a cabeça sobre estas questões. Quanto tempo
durou para o negro ser aceito na sociedade, ser visto para além da imagem ruim de
escravo, quanto tempo durou para conseguir frequentar os mesmos lugares que o
branco, seja em restaurantes e comércios, conseguir uma vaga de emprego, na
escola e a universidade. Ninguém pensa na dificuldade do negro em conseguir
construir sua vida social, ter permissão para frequentar as escolas junto aos brancos, conseguir um emprego,
e mesmo assim, depois de anos passados, ainda vemos a dificuldade do negro
nesta ascensão social, quer dizer, melhorar de vida e não permanecer
estacionado na classe baixa. Quantos
negros eu vejo saindo das escolas particulares, pegando o ônibus para campus
universitário com camiseta da UNESP, UNIMAR ou UNIVEM, são poucos! Acho que
quem discute e coloca sua opinião contrária, nem imagina o que nós negros
passamos, eu desde pequena, agora quando adolescentes e, com certeza, quando
for adulta, vou passar por situações diversas. Se um negro aparece com uma
roupa nova na escola “ ih, da onde você pegou isso aí”?, se um negro quando
adulto aparece com um carro bom “vixi, certeza que é traficante ou jogador de
futebol”, sem contar quando se tem uma namorada ou marido bonita “certeza que
só quer o dinheiro dele”. E os casos de racismo que ganharam repercussão nacional,
seja a banana jogada em campo para um jogador, e pior ainda a frase “somos
todos macacos”, como se todas aquelas pessoas, realmente, se sensibilizassem
por estas questões, quando na verdade, só queriam saber do marketing e do lucro
que poderiam ganhar em cima. Este é só um fato, dentre tantos outros de se
indignar, quantas dificuldades a serem discutidas, senti até que precisava de
ar, dentro de mim estava uma confusão, pois, cheguei a pensar que seria
impossível fazer as pessoas entenderem sobre a condição do negro e seu processo
histórico que levaram a criação das cotas. É claro, não os interessa, as pessoas
querem saber apenas os motivos da vaga especialmente para quem é negro, esta
exclusividade incomoda, porque é muito difícil ver algo que favoreça o outro e
não a você.
Acabou
a aula, estou indo para a casa, no caminho cruzo com vários olhares diferentes,
percebo que minhas opiniões incomodaram, mas tento ignorá-los, afinal, não
queria discutir mais, e eu já estava atordoada com os acontecimentos dentro de
sala e não via a hora de ir embora. No caminho para casa percebo olhares de homens que insistem em mexer com
as mulheres na rua, eles e esta reprodução do machismo que incomoda demais,
além disso, haviam muitos alunos da escola que estavam no clima de brincadeiras
de mal gosto, e isso me deu um mal-estar ainda maior, tanto que até meu
estômago ficou esquisito. Quando eu sinto essas coisas é sinal de que estou de
“saco cheio”, minha alma fica pesada porque eu sinto que os meus pensamentos e
sentimentos estão assim, enraivecidos e contrariados. É, comida não ia descer mesmo, e num impulso por melhorar,
pensei em fazer algo diferente. Bati a mão no bolso pequeno da mochila e senti
que havia sobrado troco da cantina, é, acho que vou usar para tomar o sorvete
que eu mais gosto, aqueles de recheio por dentro. E lá eu fui descendo as ruas
do centro, passando em frente a uma escola particular, momento exato de saída
dos alunos, e isto me fez lembrar da discussão em sala. Desacelerei o passo
para que eu pudesse observar melhor aqueles alunos: dentre os 100 a 200 alunos
não haviam nem 10% de alunos negros. Após observar, continuei o caminho e
comecei a pensar em como medidas provisórias como as cotas poderiam ajudar na
ascensão do negro ao ponto de ver seus filhos estudando nas melhores escolas,
isso porque, ele iria ter condições de pagar por estar em um bom emprego, que foi
resultado de uma boa formação no ensino superior, que conseguiu devido ao
ingresso em uma ótima universidade. Eu sei que se a pessoa tem força de vontade,
ela vai sentar na biblioteca, emprestar material, tentar uma bolsa em um
cursinho, e assim, vai tentar entrar nesta mesma universidade e buscar as
mesmas oportunidades. Mas e a concorrência brutal? Eu falo isso porque lembrei
de um vídeo mostrando um cursinho ETAPA lá em São Paulo, eram uns 200 alunos
por sala, professores que falavam ao microfone, mensalidade de mais de um mil
reais por mês, espera, como competir com formações tão desiguais? Por mais que
a classe pobre se esforce, as vagas ocupadas nos cursos mais concorridos já sabemos
quem vai ocupar. Só por ter realizado o ENEM como treineiro já senti aquele
fracasso, aquele sentimento de impotência, como se a prova estivesse em outro
idioma. Na época desta prova, senti um abismo entre mim e o meu sonho de
um dia poder entrar numa universidade pública, ainda bem que, diferente de
muitos colegas, eu decidi não desistir.
E com este pensamento longe, entrei na sorveteria e
avistei um grupo de meninas com o mesmo uniforme daquela escola particular, desviei delas
e fui direto ao balcão. De repente, uma mão tocou o meu ombro que me tirou
daquela minha imensidão de pensamentos.
[continua]
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Parte 4.
Sentindo na Pele.
27 de agosto de 2015
Me virei rapidamente com o sorvete nas mãos e me
deparei com alguém muito familiar, e antes mesmo de ela falar, quando ela
sorriu, já me veio na memória. Era ela, a Lívia, com quem eu brinquei durante a
minha infância na casa em que minha mãe trabalhava - ela
quem me doava bonecas, revistas e eu participava dos aniversários quando
criança – nos reconhecemos, depois de anos sem nos vermos. Ela havia passado
seus dois primeiros anos fazendo High
School no exterior, muitos alunos que tem condições fazem o ensino médio
fora do Brasil para adquirir experiência em um outro idioma.
Durante
nossa conversa enquanto tomávamos sorvete, foi possível notar algumas
diferenças, no jeito de falar, suas roupas todas cobertas por marcas, celular,
bolsa, tudo diferente do que eu vejo na escola. Percebi que ela continuava a
mesma menina que gostava de comprar coisas novas e da última moda, é deste tipo
de jovem que as lojas se interessam. É por isso que naquelas revistas, nas
novelas e em tantos lugares vejo pessoas parecidas com Lívia, ela se
identifica, ela pode comprar, os produtos mostram seu papel vivo de sedução nas
vitrines. Me perguntando sobre o que ela fazia na cidade, ela disse que ela
gostava de ir ao shopping, mas que ultimamente estava sendo difícil ir porque
estava dando muito “povão”, e que ela estava mesmo esperando para sua viagem
para a Disney com a sua sala pela famosa forma
turismo. Este “povão” que frequenta o shopping são os alunos da minha
escola, assim como eu, além de diversos outros alunos de escolas públicas da
minha cidade, e nunca é de se pensar que, nós poderíamos pagar quase 10 mil
reais por uma viagem desta. Quantas realidades diferentes em espaços tão
próximos, frequentando os mesmos espaços, mesmo que muitos tentem não se
aproximar. É tão complicado pensar
nisso, ver que coisas como marcas, produtos, viagens, ingressos, aproximam
certos grupos de jovens e excluem outros, que mundo é este que o poder de
compra atrai e distancia mundos? Quem criou a necessidade por tantas coisas supérfluas
e que soam como necessárias para fazer feliz? Sempre fui criada com pouco,
quando me deparei com alguém que atribuía tanto valor a coisas materiais, senti
que eu não poderia fazer nada por ela, apenas refletir e tentar compreender
esta realidade tão diferente.
Compreender
a sociedade em que vivo, as contradições dentro e fora de sala de aula, o processo
histórico do negro, entender as dificuldades, me fizeram pensar que somente
pelo estudo é que eu conseguiria avançar alguns degraus acima sobre todas estas
questões. Porque mais importante do que criar consciência sobre os reais fatos
que estão por baixo do tapete bonito que a indústria cultural tenta esconder, é
poder criar argumentos que possam ampliar explicações, me tornar ainda melhor a
cada dia. Ou seja, não importa o lugar que eu ocupe neste mundo, se eu esteja
usando uma calça da Carmim, uma blusa da Planet Girls, usando um Nike Shox ou o
mesmo produto só que sem o símbolo da marca famosa, se eu esteja indo viajar
para a Disney ou esteja pagando 5,60 na passagem para Garça ver a festa das
cerejeiras, se eu não tiver algo por dentro que me faça entender o escuro por
trás de todas as luzes dos comerciais e propagandas, estarei sendo levado pela
massa, alienado pela mídia e pela sedução do processo capitalista de produção.
O que
quero dizer com tudo isso? Que ser negra, pobre e estudar em uma escola pública
com inúmeros problemas precisam ser pontos de vantagem para que eu crie
consciência das contradições, dos problemas, e que o mundo não é esta maravilha
que se vê pela mídia, mostrado nas propagandas e na televisão. Até nestes
ambientes que a própria Lívia frequenta, seus produtos adquiridos, sinto que há
uma escravização, algemas invisíveis que tornam as pessoas vítimas de um padrão
de consumo. Só por meio do estudo, da discussão, que será possível encontrar um
meio de criar um pensamento que me faça driblar, superar o preconceito, estas
tristezas diárias.
Pagamos
o sorvete no caixa, saímos na calçada, a despedida, o olhar de adeus, quando
será que eu a veria novamente?
Seguimos
cada uma para o lado contrário da rua.
A vida continua.
FIM.
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